12.8.08

“as vezes tenho claustrofobia, tenho que ver uma fresta da janela aberta para me sentir melhor. Tenho medo de filme de terror e tenho medo da morte. Esses dias voltei para um ‘eu’ perdido pelo caminho, não sei se foi bom reencontrá-lo, é um eu muito introspectivo e oblíquo, demasiado subjetivo e com a sensibilidade a flor da pele. Sei que tenho muitos ‘eus’... que me causam transtornos aparecendo sem pedir licença de uma hora para outra, reconheço, não sei muito bem como lidar com todos eles, cada um com uma necessidade urgente, alguns gastam muito da minha energia, me consomem e me deixam com profundas olheiras (esses são dominantes, definitivamente). Tem um eu, raro de aparecer, um eu tão seguro de si, feliz da vida, tão feliz que nem se importaria em passar um dia inteiro em meio a pilhas de processos... esse eu tem uma paciência! Que até irrita... e logo se vai... Ainda não me decidi por nenhum, engraçado como é difícil abrir mão até do eu mais pesado e pessimista. Tudo parece necessário! Tudo parece ter uma razão para existir, ou razão nenhuma, que razão pode existir em múltiplas personalidades idealista, neurótica, pacifista, histérica, realista, otimista, mórbida, voraz, compulsiva, vegetativa, compreensiva, irritadíssima, muitas e muitas, conflitantes demais... o ar condicionado está congelando, os perdidos na nevasca não conseguem chegar e os que sobrevoam infinitamente porque não existe lugar seguro para aterrissar não conseguem voltar...”
(It's all about Love – 2003 – MINHA INTERPRETAÇÃO livre)