8.10.10

A mulher de bigodes

A mulher de bigodes me atendia todos os meses com seus olhos escuros e batom vermelho, alta, com o cabelo preso despreocupadamente, desarranjado, usava jaleco e blusa tipo segunda pele.
A mulher de bigodes não era simpática, nem rude, tinha um olhar vago, parecia triste.

Encontrá-la todos os meses era o que havia de mais real naquela experiência, eu passava todo o tempo esperando pelo seu olhar e por ver seus lábios de batom vermelho movimentando palavras-respostas.

Ela usava um relógio fino de pulseira feita de couro marrom, os ponteiros dourados sempre paravam por aqueles segundos em que sua voz saía em câmera lenta, distorcida pela minha concentração fascinada.

Depois daquele mês de outubro nunca mais vi a mulher de bigodes.

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