11.5.11

Como mãe

- Mãe eu te amo mais do que uma magia!
A primeira vez que Clara se sentiu mãe foi na sala de parto, entrou sozinha, aliviada, aquele momento seria só dela, um momento de medo, de ansiedade, um começo. Para ela é engraçado ouvir histórias de outras mães, ela sente que a sua é a única que existe.
Estava lá, deixou tudo nas mãos dos médicos, decidiram por uma cesariana, confiou porque só podia confiar, era a primeira vez que via aquelas pessoas, era a primeira vez que estava numa sala de cirurgia, era a primeira vez que algo realmente importante e decisivo acontecia, ali, em sua barriga.
Foi tudo bem rápido, o ambiente era muito gelado e sentiu frio, sentiu a maior solidão do mundo, a maior que se pode sentir na vida. Foi assustador, até que seu filho nasceu. Nasceu. Nasceu! Ele era o único ser vivo quente naquela sala, um alívio, ele era vivo, quente, gordinho, seu rosto era familiar, foi tudo tão rápido, o que ficou foi a impressão desse calor que encheu o ambiente, da vida que voltou ao coração de Clara, que nesse instante se sentiu mãe. Naquele momento não duvidava de nada, apenas sabia que era e que podia com tudo e qualquer coisa. Essa energia toda transmitida por osmose, sim foi a primeira vez que experimentou isso, no toque das bochechas, como seu filho diria hoje, foi um beijinho de bochechas, todo o calor e vida do filho devolveu o calor e vida para o rosto, corpo e alma de Clara.

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