9.11.09

A trégua - Mario Benedetti

Se fosse um filme eu choraria...
Chorei com o livro. Como precisamos de trégua nessa vida cheia de cinzas e aborrecimentos. Uma trégua de uma só vez, ou diluída em muitos momentos saboreados como únicos.
A verdade é que não podemos saber quando será o final, o final do amor, do momento, da vida, da trégua.
E por não saber, muitas vezes acabamos deixando para depois, para quando todos os problemas tiverem se resolvido, para quando chegar o final de semana, para quando tivermos emagrecido, para quando chegarem as férias, a aposentadoria...
A vida é o instante que respiramos e passa tão brevemente quanto uma respiração que passa despercebida, mas que é tão fundamental para a existência.
Aproveite o dia pode ter virado clichê, não se deixe enganar as verdades podem ser tão óbvias que nos enganam em armadilhas, a armadilha do amanhã, do futuro, do depois.
Imaginar cada segundo intensamente pode ser forte demais, mais do que podemos compreender, talvez precisamos da anestesia do amanhã para podermos aceitar o hoje que não queremos, o hoje longe das pessoas que amamos, o hoje cumprindo procedimentos, horários e burocracias, não sei.
A consciência é algo profundo, é preciso ser forte para continuar.

29.10.09

me sinto sozinha porque existo
porque os outros existem e estão sempre do outro lado
da cidade
do mundo
do interesse
do objetivo
do motivo
do sonho
da vontade...
falar com ninguém não tem mais nem vez
trocar
olhar

28.10.09

hoje na terapia me dei conta da necessidade que tenho de externar todos os pensamentos que ficam rondando a minha cabeça, fazendo tudo parecer confuso e complicado. me lembrei de como sempre foi importante para mim escrever diários e como não faço isso a bastante tempo, esse pode sim ser um jeito.
já faz algum tempo que estou sentindo falta de uma amiga, uma parceria, um apoio, parece que não existe mais espaço para isso no mundo, parece que a superficialidade é tão predominante que ocupa todo o lugar no tempo e no espaço, ninguém quer saber como estamos realmente. Somos seres isolados, dependentes, obrigados a interagir uns com os outros, mas não enxergamos o outro 1 milímetro além do que nos interessa para seguir em frente. Isso é triste.
as pessoas são tristes e cansadas, e assim ensinamos nossos filhos sempre correndo para não chegarmos atrasados, sempre puxando seus bracinhos para lá e para cá tentando chegar no meio desse trânsito caótico.
essa agitação toda deve ter haver com a confusão em nossas cabeças.
eu não consigo ler, quero ler muitas coisas, mas não consigo. sempre tem barulho, gente falando, tv, trabalho, sempre tem muita coisa ao mesmo tempo e parece que ler só dá pra ser uma coisa de cada vez.
assim como deveriam ser as coisas na nossa vida, como seria bom ter uma vida na qual os problemas e questionamentos surgissem um de cada vez. resolvendo um e só depois passando para o outro. maravilha. ou excesso de organização, isso faz perder-se a criatividade caótica, perturbada, inusitada, surpreendente.
eu quero dormir hoje e acordar amanhã descansada, com alguma força para resolver as coisas das quais quero me livrar, resolver algumas coisas tão importantes para mim, eu quero fazer um diário e aprender a enxergar o mundo pela perspectiva das palavras num papel, nada de teclados e telas, quero refazer minha relação com o papel, a caneta e quem sabe com um lápis de desenhar.
boa noite. 27/10/09.

14.4.09

hoje estou assim

hoje estou assim assim, mudando devagarzinho, girando em volta do meu mundinho, inho, inho...
toda quarta visito a Dra. Paola, falo mais que a boca, estranho falar tanto, parece um treinamento e assim vou me acostumando a falar mais com o mundo, cada vez mais um pouco.
já ando sendo reconhecida por aí, soltei algumas de minhas particularidades tão minhas em partículas pequeninas que estão como purpurina espalhando brilhinhos pra lá e prá cá.
estou assim um pouco mais reluzente, quase brilhante, em alguns momentos estonteante, nossa!
é verdade sim, vc vai perceber quando me ver passando com um andar mais leve e uma aura bastante colorida.

13.2.09

hoje acordei num susto, estranha e com medo, medo de perder, da morte e de um pesadelo ser realidade... peguei o telefone, a cena parecia se repetir, um dejà apavorante, ouço a voz que me acalma e num pranto de alívio me deixo desabrochar em lágrimas. fiquei sensível depois disso, cheguei no trabalho atrasada, atendendo ligações intragáveis, arrogância, defeitinho insuportável, minha fraqueza, não sei lidar com esse troço, passa por cima de mim, depois fica o disco rodando e rodando na minha cabeça, um disco arranhado com tesoura, com estilete.
hoje o dia parece de domingo, daqueles domingos mornos, de ficar em casa de pijamas, vendo filme água com açúcar e comendo pipoca, quero ir embora pra passárgada, pra minha casa, pra qualquer lugar longe daqui...
quero colo quente, beijo morninho, aconchego, hoje eu vou embora, minha cabeça está em outro lugar já, foi à tempos, assim que desci do ônibus e passei o cartão, isso de estar em outro lugar deixa agente vulnerável, uma carcaça vazia, inconsciente, me atravessam, sou invisível, quero ser, só hoje por favor. ai meu santinho expedito das causas impossíveis, injúrias, lamurias, devaneios...

19.1.09

tentei enxergar o amor naquelas palavras de um email fugaz, não consegui.

ainda não sei o que fazer.

liberdade de errar

nesse fds errei, errei mais que sempre, fui intolerante e protegi o meu, fui mãe leoa, tenho sido mais ultimamente, déjà vu, escrevi isso em algum lugar já...
defendi o que penso até o fim, esgotei argumentos, passei por cima dos sentimentos, me senti livre para ser o que sou e fui embora, fui de mala e cuia e filho, fui embora pq não me senti bem aonde estava, e me senti livre para ir, para recusar que passem por cima de mim, para ser até o fim, errada ou não, orgulhosa, sim dessa vez eu que fui a orgulhosa, a diferença é que não tinha ninguém pra me pedir de volta, insistir no amor e no agora, quer ir, vai.
eu fui embora e rompi com um sentimento de dependência dolorida, rompi com o mal estar, com a imposição, com a voz dura e seca da razão, razão que não me serve pra nada, quero me livrar dela, com a incompatibilidade de futuros, de sonhos e planos.
aproveitei meu dia comigo e minha casa, não dei a chance para o que me incomodou, cansei de esperar e disse adeus, o resto do dia passou tranquilo, tão diferente da noite anterior que fez parecer que tudo não passou de um sonho ruim, a lembrança nublada da manhã veio tão distante que não me atingiu, não me alcançou.
ainda não sei o que fazer com isso, não sei o que ele vai fazer disso, ele que não sabe pedir desculpas e se humilhar por amor, eu que já me humilhei o suficiente por nós dois, dessa vez quero ficar quieta, e sinto que sou capaz de esperar, uma espera diferente, sem ansiedade e medo, mas uma dúvida negra a espreita, não deixo que ela se aproxime, mas ela existe, e se o amor não for mais forte, e se o amor não resistir, e se ele não tiver a vontade de lutar por mim, por nós dois, por nós três, se a compreensão não insistir.
dessa vez vou deixar que ele responda a tudo isso...
por enquanto eu vivo, nessa tranquilidade suspensa, sentindo que está faltando um pedaço, mas que não cabe a mim completar.

14.1.09

“Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do Zodíaco”.
(Memórias de Minhas Putas Tristes . pg.74- G.G.Márquez)

"agente quer se afastar de si próprio...
Para isso é que o muito se fala. O senhor sabe o que é o silêncio?
O silêncio é agente mesmo, demais"
(Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas)

7.1.09

feliz ano novo

começou 2009, passou natal, virada, tudo muito bem, as vezes estranho essa serenidade em mim, tenho medo de ser artificial, sem preocupações antecipadas!!
a verdade é que eu descansei, fiquei mais com meu filho, me dei melhor com a minha mãe, aproveitei um pouquinho das coisas boas da vida, namorei bastante!!!
praia do estaleiro, nem quero divulgar muito para não estragar, lugar maravilhoso, cercado de mata atlântica, simplesmente não existem prédios nessa praia, umas poucas casas espalhadas e uns quiosques, não existem lojas, banca de jornal, farmácia, supermercado, o consumismo passa longe desse lugar, a diversão é olhar o mar, atravessar o rio, andar de uma ponta a outra, ver as conchinhas.
tá, nem tudo são flores, acampar é ótimo até certo ponto, chega um momento que vc não aguenta mais areia por todo lado, borrachudo e pernilongo. a barraca parece que vai diminuindo ao longo dos dias, vc começa a sentir falta do seu travesseiro, da cama, do seu chuveiro, de um sofá fofinho pra ver televisão e da comida!!! comida de verdade, nada de miojo e macarrão borrachento!! hehe
ah, mas vale a pena, parece que o ano começou melhor dessa vez, senti um frescor de novidade, de mudança como não sentia a algum tempo...
pensei na volta ao trabalho com mais vontade, em planos para o ano mais concretos, mais tranquilos, sem tanta pressa.
pulei 7 ondas, primeira vez!!! entrei no mar escuro da noite, de ondas calmas, senti um geladinho revigorante, deixei o que passou para trás, sinto que começo dessa vez mais leve.
algumas coisas já estão acontecendo, algumas dentro de mim, no meu olhar para dentro, no reflexo do espelho que está mais generoso, no esperar dos outros que já não é tanto e na vontade de dar que vai aumentando, dar sem esperar de volta e ganhar surpresas...