25.12.11

incerteza

a incerteza da beleza
e o medo que come a carne
os ossos quase aparecendo e o sangue escorre
pinga
pinta de vermelho o chão
esmaga o coração
na rima tola
boba
dócil e besta noite
sem começo e sem fim
antes do amanhã agitado
do presente inadequado
do deslocamento que se confirma
a cada passo
a cada alto
os sonhos trazem amigos do passado
amigos cúmplices
amigos deixados de lado
o deslocar também é deixar o outro ir
viver diferente
realidade nítida
de longe mais interessante
mais alegre
será?
e por que não
e o sonho de menina vai ficando pra trás
a caixa rosa
o quebra-cabeça montado
todas as peças num mesmo lugar
protegidas
me protegendo

da solidão

26.11.11

medida de tempo

e se fosse possível enxergar em meio ao cinza tecidos esvoaçantes
no ritmo da música
acompanhando o toque do piano
as mãos conduzidas pela leveza do som e do vento
movendo-se em gestos leves
delicados
ignorando o tempo que corre
deixando mais um trem passar
fazendo de conta que não existe medida no espaço
correria
medo
ansiedade
pra só ir embora
ficar
deixar ser
naquele momento que é tudo
que é vento travestido de movimento e de som
que é vida porque pode ser apreciada
___________________________________________

hoje é véspera do meu aniversário de 29 anos, o ano já acabou, mas insisti em demorar vagarosamente em cada último dia. no compasso de seu vagar, apegado a um 2011 intenso, aumenta minha ansiedade, o frio na barriga de quem tenta planejar seus dias em vão, futuro? não, falo apenas do amanhã ilusão, amanhã mistério,  surpresa, desafio, incerteza, amanhã presente, é só o que posso desejar esperançosa.

de 25/11/2011

22.11.11

deslocamento

a cada retomada das palavras uma surpresa, procuro papel e caneta como quem procura água na sede, no encontro me deparo com palavras de outros tempos, as vezes de 1 ano, as vezes mais, as vezes menos. esse escrever meio solto em diversos lugares talvez traduza meu jeito de ser tão intensa e tão dispersa, sempre lidando com sentimentos conflitantes, quase sempre distantes da minha realidade.

estava com uma ideia na cabeça sobre como nos parecem as pessoas, como lemos suas personalidades, ações e intenções conforme a situação. se fazemos isso o tempo todo instintivamente, exatamente o oposto tão certo deve acontecer com os outros, lendo e interpretando nossas ações, minhas, através do véu, da atmosfera da situação. qual o problema? nenhum.

assim como venho tentando aprender sobre a impermanência de todas as coisas, mais uma vez me deparo com essa difícil lição, a cada momento com uma aparência e particularidade, mas sempre a mesma, sempre incômoda.

a impermanência das situações, do nosso ser com o outro, hora íntimos, hora estranhos, amigos, rivais, lado à lado, em lados opostos, e não precisa ser assim tão oposto pra já ser diferente, basta estar em outra perspectiva. e o confronto com o desconhecido já começa, tento lembrar de como construí uma relação com essa pessoa, do que fomos um dia, tento resgatar essa história com a esperança de que o novo momento construído, a nova situação em que somos protagonistas, faça sentido. sim, pra mim não é nada fácil mudar, me apego as relações construídas e a cada novo passo no sentido do amanhã me vejo obrigada a desfazer laços e construir outros sentidos, tentando não me perder, tentando ser o que sou mais o que ganhei na troca com o outro que em algum momento esteve tão conectado a mim, sintonizado na mesma vida, na mesma frequência.

e que agora segue seu caminho para outro lado. por que assim é a vida e continuar significa inevitavelmente fazer escolhas, ESCOLHER, certamente meu maior medo é de que ninguém mais escolha o caminho que escolhi, e então terei me esforçado tanto para seguir sozinha.

sabe aquela história de se sentir deslocada e estar sempre do lado ao contrário onde o grupo está. (criar laços deveria ficar mais fácil a medida que o tempo passa?)

culpo sempre o sistema, a correria, a rotina, o tempo que falta enquanto estamos prá lá e prá cá dentro de túneis e de prédios cinzas, mas será que é isso?

será que sigo no sentido do deslocamento assim como o planeta Melancolia em direção à Terra.

são tantas questões o tempo todo e quando me deixo seguir automaticamente na correria das necessidades, de repente, num salto, me deparo com uma cratera, um penhasco, um vazio.

31.10.11

uma noite fria e uma manhã cinza

ontem só conseguia pensar que se passou um ano
um ano
e estamos no mesmo ponto
o mundo girando
uma noite fria e uma manhã cinza
uma segunda traiçoeira
feia feia
que faz você ficar mais longe
mais quieto
mais duro e cruel
porque mando você ficar longe e você fica
me obedece assim tão prontamente quando eu peço algo ruim
e todas as vezes que te pedi pra nunca me deixar?
parar de ir embora
e ficar tão longe
o amor é bom demais
mas dói demais sentir
o mundo é grande demais
e cheio de coisas demais
é quase impossível se concentrar

deixa o amor pra depois
a vida pra amanhã
o sonho pra utopia

sabe quando o clima expressa exatamente o que se passa dentro da gente!?
pois é
olha pra janela

29.10.11

para o inferno você!

sim EU QUERO QUE VOCÊ VÁ PARA O INFERNO!
pra que sonhos e planos?
PARA O INFERNO!
pra que pensar a vida, dedicá-la a você
pra que te encaixar na minha lógica louca pouca

tentar te dar sentido se nem ao menos você tenta e precisa
quem precisa de nós dois?
que dois é esse que quase sempre é zero

pra que o amor
pra que dor
pra que chorar mais uma vez em vão

minhas lágrimas são tão importantes quanto a sua palavra
DE MERDA
palavra de merda e de vento
de poluição
cheia de pequenas partículas que arranham minha garganta
que rasgam minha pele
palavra
que leva os meus anos como se fossem dias
COMO SE FOSSEM LIXO

não quero mais engolir uma gota do teu líquido áspero
machista e grosseiro
CAPITALISTA
parasita

te alimentei enquanto pude e estou morrendo aos poucos
de desgosto
de tanto tentar ser eu com você
e acabar desistindo de mim

da minha essência
da minha intensidade
SÓ PORQUE VOCÊ NÃO DÁ CONTA
não dá

quero me enganar pra que?
se nem a vida fugaz que você me prometeu é inteira
é merreca
é esmola
é ofensa
para o inferno! INFERNO!!!

15.10.11

antecipando o Ano Novo

Sabe quando está chegando o ano novo, ou o aniversário e sentimos uma sensação boa de algo novo, a sensação pouco tempo antes de ganhar um presente, algo que queremos muito ou algo inesperado. Estou me sentindo assim.

Acontecem muitas coisas o tempo todo, a cidade corre a nossa volta, a rotina nos empurra prá lá e para cá o tempo todo, no entanto, o lugar onde tudo acontece, definitivamente, é na minha cabeça, sim existe um turbilhão dentro dela e nem sempre dou conta de administrar. Para lidar com esse turbilhão preciso "controlar" a ansiedade, ou melhor, tentar acalmá-la ao menos, é preciso encontrar o fio da meada e puxá-lo para não me perder, com a força na medida certa para que ele não escape ou fique frouxo, e nem arrebente. E como esse fio é rápido e ardiloso, vira e mexe escorrega ou se transforma em qualquer coisa.

Sabe, viver não é coisa assim tão simples, não pra mim pelo menos. Penso muito e em muitas coisas, faço menos do que penso, mesmo assim sei que ainda faço bastante e, muitas vezes, bate um esgotamento mental e físico, nem sempre me cuido, ou cuido do meu filho, como gostaria, com uma alimentação e hábitos saudáveis e equilibrados, muitas vezes não consigo manter o mecanismo mais vital e básico funcionando, nossa respiração.

Onde quero chegar?

- Retomar hábitos como uma alimentação mais natural/integral/saudável é importante pra mim e para o Caio.

Cada vez mais, no meio das turbulências tenho lembrado como esse mundo pode ser uma ilusão e refletir o que se passa dentro de nossas cabeças e corações, não adianta tentar tanto mudar e arrumar as coisa à minha volta, enquanto ainda estiver uma confusão dentro de mim.

- Me acalmar, buscar tranquilamente e internamente um realinhamento entre o que penso, o que sinto, o que faço e o que sou.

- Procurar uma rotina que me permita esse encontro, essa consciência, uma verdadeira e livre respiração.

- Parar de brigar tanto comigo mesma! Eu sei da minha essência, das minhas responsabilidades e dos meus sonhos (sei também das minhas ilusões... de achar que sei muita coisa inclusive)...eu só preciso ter a tranquilidade INTERNA para fazer uma coisa de cada vez e sempre seguir adiante.

Acho que voltei às minhas listas...

de 14/10/11

na natureza selvagem

6 e pouco da manhã e não consigo mais dormir, a noite assisti ao filme Into the Wild, lindo demais, mesmo tão diferente, vivendo essa vida criada pela ilusão do homem moderno na cidade, me identifico tanto com a personagem principal, Christopher McCandless ou Alexander Supertramp.


Ele não acredita nessa vida e necessidades criadas e impostas pelo Sistema em que vivemos, e, ele teve a coragem para ir embora, sair, mudar, seguir outros caminhos e buscar por uma verdade, ele escolheu seguir e buscar a natureza, a natureza\selvagem.


Concordo tanto com ele, mas tanto mesmo, que fica mais difícil seguir esse caminho que caiu sobre minha cabeça, que muitas vezes não é o que quero, mas que é meu, na maior cidade metropolitana do Brasil.


É triste o final da história, dói demais ver que ele terminou encurralado na escolha extremista que fez, talvez ele precisasse fazer esse caminho de um extremo a outro, talvez ele tenha ele tenha vivido tão intensamente uma verdade, que arrependimentos e sentimentos de piedade não servem de nada, por acreditar nisso, não é esse meu foco.


A lição que pego pra mim e que já faz parte da minha enorme dúvida é de que não existe apenas uma maneira de viver, ter sempre vivido em São Paulo, ter essa cidade caótica e ao mesmo tão rica como herança, não significa que não posso fazer outra escolha, ou ao menos experimentar outros caminhos.


Numa parte do filme ele conclui que a felicidade só é real se compartilhada. Num livro que lê , e que reforça sua decisão de ir embora do isolamento total, é dito que uma vida agradável e que pode proporcionar alguma felicidade pode ser muito simples, talvez precise ser muito simples, afastada da turbulência das grandes cidades, com alguma natureza e tranquilidade em volta, pessoas que trabalham pelo seu sustento e de sua família, e não estão acostumadas a serem servidas, fáceis de serem amadas, admiradas, de ser bom ao lado delas, uma companhia sincera, um trabalho que faça sentido, que tenha utilidade ao alcance dos olhos, das pessoas.


Idealismo? Outra ilusão? As vezes acredito tanto nisso que sinto o impulso de enfiar umas poucas coisas numa mala e ir embora. Penso que posso trabalhar em qualquer coisa, em qualquer lugar, não tenho aspirações como uma "carreira de sucesso" e ter coisas, coisas e mais coisas.


Não estou amarrada, por que me sinto presa?


De certa forma tenho esperado por muito tempo formar a "família" que enfiei na minha cabeça  que preciso. Preciso? Que família é essa afinal? Será que ela já não existe esse tempo todo e não me dou conta por estar presa a moldes e formatos que podem não servir para mim, não fazer sentido para mim.


A cada dia tenho mais dúvidas, ainda mais quando me sinto tão sozinha e perdida.


Sinto dentro de mim que sou capaz de mudar, de parar de ter medo, sei que tenho uma força enorme dentro do meu peito, em minhas mãos, sei fazer tantas coisas , aprendo tantas outras a cada dia. Parece tão lógico e tão possível não ter mais medo.


de 08/10/11

19.9.11

Melancolia 2

Antes de qualquer coisa:

"Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer". Trecho de "São Bernardo", de Graciliano Ramos.
Esse trecho perfeito e oportuno peguei emprestado do blog Sentir por Escrito.


Na sexta passada assisti Melancolia, um filme de Lars Von Trier, saí da sessão com uma impressão ruim, depois disso, até ontem, estava determinada na tarefa de explicar o quanto não gostei do filme. No entanto, nesse processo maluco que é escrever, passei a gostar cada vez mais de Melancolia, e ao mesmo tempo, a colocar à prova minha opinião sobre Árvore da Vida.
Melancolia passa uma impressão tétrica e fatalista sobre a vida, as emoções aparecem travestidas de desespero e sentimentalismo.

"Lembre-se sempre de ir direto às partes e, ao dissecá-las, conseguir alcançar o seu desencantamento" Marco Aurélio
Nos últimos dias venho concordando com essa frase com convicção, e na minha repetição interna nas situações à minha volta ela caiu em contradição, Melancolia não poderia ser de outra forma, é um filme difícil e que precisa ser analisado com cuidado e método, a cada parte ganhando absorção.

Se quiser tirar o encanto e significado de algo, separe e analise metodicamente as partes. Se quiser sentir algo de verdade, mergulhe e apenas sinta. Mergulhar e sentir, é exatamente o que aconteceu em Árvore da Vida. Exatamente o contrário aconteceu em Melancolia, pois essa foi a maneira escolhida para mostrar o sentimento de solidão absoluta, de desconexão, da falta de sentido. Além de ser literalmente dividido em duas partes, Justine e Claire, Melancolia é feito de partes desconexas o tempo todo. Nesse filme todos estão fatidicamente sozinhos e não têm escolha.

O que aconteceu então é que eu escolhi não mergulhar no filme, para alguém que leva o cinema tão a sério isso poderia significar entrar numa grande depressão e desejar o fim, exatamente como Justine, exatamente como uma pessoa deprimida e que se sente completamente sozinha, talvez como Lars Von Trier (?).


A Terra é destruída por um planeta chamado Melancolia e nada pode ser feito. Nada.
O que significa melancolia? Uma tristeza vaga e persistente, algo destrutivo, depressão, tristeza profunda. Muitos podem dizer que já sentiram isso, talvez não o tanto que é possível sentir para de fato concordar com o fim da vida na Terra, no Universo, mas o suficiente para achar que nada faz sentido.

A cena em que Justine anda pesadamente com seu vestido volumoso de noiva por um lugar escuro e úmido, seus tornozelos amarrados por fios de lã cinza, emaranhados e pesados, mesmo com toda sua força o movimento é em câmera lenta. Em outro recorte seu rosto deitado no travesseiro e seus olhos que não querem abrir, a voz sai devagar e pesada também, o mundo supostamente normal a sua volta não consegue entender nem enxergar tudo o que se passa ali, internamente, no lugar ermo e deserto em que se instala a mais profunda melancolia. Essas imagens compõem o retrato perfeito da depressão, de uma tristeza sem fim que não deixa quem a sente seguir em frente, respirar.


Ao mesmo tempo precisamos de uma certa melancolia, uma tristeza que faz parte da vida, é inevitável e necessária para dar um tom de realidade, possibilitar a empatia e causar dúvidas com relação as ilusões criadas a nossa volta, sem isso corremos o sério risco de nos tornarmos alienados, insensíveis e até mesmo palhaços.

Entrei nessa empreitada louca de comparar Árvore da Vida com Melancolia e nesse processo cada vez mais percebo que um filme não tem absolutamente nada em comum com o outro. Em Árvore da Vida o amor permeia todas as relações, até mesmo na mais cruel das incoerências do pai temos uma perspectiva do amor que existe ali. Gostei de cada sutileza que o filme mostra de maneira ampliada e escandalosamente nítida. Considero que o filme inteiro se passa na cabeça da personagem Jack de Sean Penn, uma vida de lembranças, impressões, sentimentos bons, confusos, doloridos e curiosos.

A viagem muito além do nosso tempo e espaço mostra como somos ingenuamente ambiciosos, como queremos e precisamos entender mais que o mundo a nossa volta, entender o universo, de onde viemos e o que existiu antes de nós.

Uma história praticamente auto-biográfica, uma entrega, até onde é possível ir pelo amor, o filme em muitos momentos é uma grande declaração de amor ao irmão do meio que morre, à família, ao pai severo, à mãe que ensina o amor e vive o amor em cada gesto. Esse filme não tem valor se analisado e esmiuçado em suas razões e formas de ser, é um filme para sentir. E como o próprio Sean Penn já falou numa declaração à imprensa, algumas pessoas se conectam ao filme de tal maneira que ficam completamente tocadas, emocionadas, e foi isso que aconteceu comigo. Outras, em face ao mesmo filme, bocejam e/ou odeiam tudo.

Numa parte do filme a Senhora O'Brien diz algo como "a única maneira de sua vida não escapar, não passar rápida e vazia, é viver o amor". Isso pode soar piegas, sim claro, assim como todas as cartas de amor ridículas, no entanto, quem não prefere viver um grande amor à viver a solidão absoluta, fria e dura de Melancolia.

Em Melancolia temos a perspectiva do fim do mundo e da vida através de uma visão absolutamente solitária, somos sozinhos no universo, sozinhos na família, na relação das irmãs elas estão completamente sozinhas, isoladas uma da outra. O filho é mais uma peça no quebra-cabeça, uma peça isolada. O marido sozinho em sua esperança e em seu erro abandona a família covardemente.

Claire, a irmã apegada a vida, representa o mundo ao nosso redor, quando tudo está próximo do fim não consegue se conectar às duas pessoas que restam, tenta agonizar veladamente e continuar se enganando com rituais para disfarçar a realidade, se desespera completamente.

Justine, a irmã doente, deprimida, não teme o fim, concorda com o fim de tudo, é fria porque não tem vínculos com a vida, acredita verdadeiramente que a vida não tem sentido, que essa vida é intrinsecamente ruim, é como se ela já não estivesse lá, nunca esteve.

Tudo isso está por aí a nossa volta. Nosso mundo pode estar perto do fim, de certa maneira caminhamos nesse sentido a cada dia. No entanto, constatar isso com frieza e fatalismo significa constatar a nossa incapacidade de sentir, se emocionar, se comover, mudar e, principalmente, de sair do buraco sem fim que pode ser uma depressão.

A fotografia e as músicas são incríveis, as cenas do planeta Melancolia são perfeitas e a atuação da Kirsten Dunst está maravilhosa.

Destaque bem humorado de Melancolia (sim existe!): o organizador do grande casamento que se recusa a olhar para a noiva Justine depois que a mesma começa a arruinar a festa.


E para concluir finalmente concordo plenamente com a Juli: "Acho que o que importa é O FILME e não a ideia que as pessoas fazem dele, afinal isso é cinema, você entrar na sala aberto, disposto a mergulhar na viagem proposta, seja boa ou ruim... para mim isso é o cinema puro."

Perfeito! Muito orgulho da minha irmã/alma gêmea!! rsrs

18.8.11

A árvore da vida

Ontem foi um dia especial, um dia de encontros.
Ter a oportunidade de fazer algo que se gosta muito, com pessoas especiais e que se gosta muito também é valioso, é importante, pra mim é a essência, a linha que tece o sentido da vida.


O encontro

Assistir esse filme com a minha irmã, sabendo que ela estava lá na mesma sala e passando pela mesma experiência, do jeito único e através das lentes dela, mas com uma conexão inegável, enxergando ampliado sentimentos, sutilezas que são gigantes no universo das crianças, de irmãos, e isso o filme faz com um primor que adjetivos como perfeito e forte se tornam pequenos.

Algumas cenas são tão concisas, limpas, numa exatidão para mostrar o mínimo essencial, e ao mesmo tempo tão exuberantes numa fotografia de doer de tão linda, em atuações inacreditáveis de tão verdadeiras,  e olhares, os olhares são avassaladores.

É inútil tentar colocar em palavras, elas são poucas, digo isso completamente rendida à arte que é o cinema, sempre fui, mas isso é incontrolável durante esse filme. É como se fosse possível trazer para um único espaço e tempo, 138 minutos e uma tela, toda a sensação de uma vida, mais, da origem da vida, do que somos, como crescemos, como entramos nas regras da vida em sociedade, em família, como nos relacionamos com Deus, com o imponderável, como fazemos parte de uma lógica ilógica sendo confrontados desde o nascimento com limites, amor, milagres, brutalidade, com vida.

Além da Ju, estavam presentes grandes amigas/grandes pessoas, muito queridas, cada uma a sua maneira, talvez até de jeitos opostos, mas de uma vontade e sinceridade para o amor idênticas.


Renata, doçura, leveza, carinho, amo tanto essa menina.

Natália briguenta, corajosa e leal, até numa discussão com um mendigo ela defende a dignidade e a justiça, louca, linda!!

Ana uma pessoa que tenho tantas, muitas mesmo, coisas em comum, que admiro e com quem aprendo diariamente, mais de longe do que gostaria, através desse mundo virtual louco, ela é mais ou menos uma professora de cinema pra mim, tenho vontade de assistir tuuudo que ela comenta em seu blog Organizando o caos.

A Juliana, que conheci ontem, mas que parece que já conhecia, por causa do blog Sentir por escrito, muito legal ver em carne e osso uma pessoa que pra mim era, ou ainda é, um mosaico de pensamentos e palavras que fazem sentido, que me causam empatia.

E a Fernanda, um amor de pessoa, linda e cheia de luz, que não assistiu o filme, mas que vai assistir depois com certeza, e que chegou a tempo pra nossa conversa desordenada, maluca, estávamos todas meio perplexas. E que além da sua presença, me deu um livro de quadrinhos lindo, adorei, já li junto com o Caio ontem as primeiras páginas, e já elegemos alguns dos nossos favoritos, depois te mostro, obrigada!!! Você e os quadrinhos são demais!!!


Sobre o filme, pensei em muitas outras coisas, depois quero organizar melhor isso, escrever uma resenha mesmo, mas acho que preciso assistir novamente, é muita coisa, muita intensidade, muita história. Como a Ana disse, é preciso uma noite pra ficha cair, acho que preciso de mais noites...

A ÁRVORE DA VIDA (The tree of life). Estados Unidos, 2011. Direção: Terence Malick. Com Brad Pitt, Sean Penn, Jessica Chastain, Joanna Going. 138 min.

12.8.11

Os pequenos poderes

Qual é o significado para você?
"Trabalho no sentido dialético de negação das condições e dos significados imediatos da experiência por meio de práticas e descobertas de novas significações e da abertura do tempo para o novo, mudança do que está dado e cristalizado."

"No meio do caminho tinha uma pedra.
Tinha uma pedra no meio do caminho."
Carlos Drummond de Andrade

"A burocracia opera fundada em três princípios: a hierarquia do mando e da obediência , que define os escalões de poder; o segredo do cargo e da função, que garante poderes e controle dos graus superiores sobre os inferiores; a rotina dos hábitos administrativos que, por definição, são indiferentes à especificidade do objeto administrado (produzir uma ópera, comprar livros, realizar um seminário, comprar tijolos, lâmpadas, papel higiênico e sabonete são atosburocráticos e administrativos idênticos)."

"A irracionalidade burocrática é aparente: serve para disfarçar e ocultar formas precisas de exercício de poderes (ainda que sejam pequenos poderes).
Um processo pode percorrer seu caminho pelas instâncias administrativas em algumas horas ou em muitos meses: a diferença não é determinada pela complexidade do assunto, mas pela vontade de quem o faz caminhar ou parar nos escaninhos e nas gavetas."

Problemas com o JURÍDICO

"Um dos mais pitorescos foi aquele criado em torno de um projeto comum entre a Secretaria de Saúde e a Secretaria de Cultura com doentes e deficientes mentais. A assessoria jurídica da Secretaria Municipal de Saúde sustentava que o programa não poderia ser realizado pela Saúde por tratar-se de um programa cultural.  Por seu turno, a assessoria jurídica da Secretaria Municipal de Cultura afirmava que o programa não poderia ser feito pela Cultura por se tratar de uma questão clínica. Foi somente quando, encolerizado, José Américo Pessanha, diretor do Centro Cultural São Paulo, indagou se o que se propunha era o apartheid cultural dos doentes mentais, que, assustadas, as duas assessorias encontraram os meios legais e administrativos para viabilizar o programa."

trechos entre aspas retirados do livro Cidadania cultural O direito à cultura da Marilena Chaui.

continua...

20.7.11

Encontrando respostas

Ontem assisti àquele filme que queríamos ver, Estranhos Normais, o filme não é deslumbrante, mas é engraçado e tem seus momentos especiais.


De cara ele já ganha pontos por dedicar o filme à todas as pessoas que tem medo, ou seja, todas as pessoas, e vai falando do que as pessoas têm medo, as pessoas têm medo de tudo, temos medo de nossa própria sombra, temos medo de ter medo!

O filme tem imagens muito bonitas, em muitas cenas o vermelho é forçadamente destacado, disso eu não gostei muito, parecia uma tentativa frustrada de criar um clima como o do filme Amelie Poulain.

Outro ponto para o filme se deve aos diálogos e olhares das personagens, sabe quando encontramos uma pessoa que nos sentimos bem quando estamos perto, instantaneamente, sentimos isso nos diálogos e olhares do filme, é como se por trás de todo o teatro, o filme passa uma esfera de teatro, ainda pudéssemos ver e sentir um real entrosamento dos atores, das pessoas vestidas de personagens.

Bom mas o que queria de fato contar para vocês é sobre um trecho de uma crítica do filme que li hoje:

"No melhor dos casos reencontramos a inspiração mais profunda do diretor de Mediterrâneo, que venceu o Oscar de filme estrangeiro. A sociedade seria opressiva; faria as pessoas seguirem destinos que não são os seus. Algum acidente pode fazer com que se reencontrem. Em Mediterrâneo era a guerra. Em Estranhos Normais pode ser um casamento prematuro, ou uma doença. De toda forma, qualquer pretexto é válido para uma pessoa abandonar a rotina alienante e satisfazer suas aspirações mais profundas. Essa é a visão de mundo de Salvatores, que não precisaria de metalinguagem para se exprimir." (Luiz Zanin)

No trecho em negrito, qualquer pretexto é válido para uma pessoa abandonar a rotina alienante e satisfazer suas aspirações mais profundas, esse trecho diz exatamente o que eu estava pensando, precisamos de um argumento, melhor ainda se for um argumento livre de culpa, para podermos ser o que realmente somos ou queremos ser.

Quando li esse trecho lembrei imediatamente de um desejo que sempre nutri em segredo, desde a adolescência, a princípio pode parecer mórbido, mas não é, ele ilustra exatamente essa vontade imersa que todos temos, de viver os dias como se fossem os últimos, de fugir e jogar tudo para os ares, de mandar o que não gostamos para os infernos, de se sentir no direito de só fazer o que faz sentido. Todos esses desejos grandes e ousados se escondem por trás da exigência de termos um argumento livre de culpa, como a morte iminente, uma doença muito grave ou a morte de alguém muito próximo.

Agora eu me/te pergunto, porque é mais fácil imaginar um argumento livre de culpa ligado a morte do que um ligado a vida. Que mecanismo é esse que criamos irracionalmente que nos paralisa e nos protege numa vida medíocre e cheia de medo. Isso realmente é uma vida segura. É uma vida vivida. Afinal o que vamos fazer com todo esse medo.

Num ensaio da Maria Rita Kehl chamado Elogio do Medo, ela fala um pouco da importância do medo, é preciso ter medo para instigar a coragem, a curiosidade e a imaginação. Desde criança gostamos do medo num jogo emocionante de encarar os próprios limites, do medo vem o frio na barriga, vem a euforia de quando atravessamos um trajeto escuro, vem a vida que sentimos latejando em nossa veias quando temos a coragem de encará-lo.

Afinal, estamos perdendo a coragem?

8.7.11

Minhas tardes com Margueritte

França (2010) – 81 minutos.
Gênero: Drama
Direção: Jean Becker
Elenco: Gérard Depardieu, Gisèle Casadesus, Maurane, Patrick Bouchitey, Jean-François Stévenin, François-Xavier Demaison, Claire Maurier, Sophie Guillemin

Não tinha visto o trailer, não tinha nenhuma informação sobre o filme e não tinha sentido vontade de ver o filme antes, foi uma surpresa maravilhosa!!

Começando pelo caminho quando a Natália começou a contar o trailer e como ela ficou sabendo do filme do jeito mais engraçado... e depois quando ficamos paradas uns 20 minutos na frente dos posters dos filmes pra resolver o que agente ia assistir, eu, a Natália e a Juli, "tá dois filmes são franceses e com o Gérard Depardieu", "Meia noite em paris a Natália já viu e vamos entrar com o filme já quase começando", Juli "acho que eu não consigo entrar no cinema com o filme já começando", Natália " se formos no das 19h50 vai dar tempo de comer", Juli "Esse filme francês é desses que a trilha sonora inteira é um cara tocando um piano ou algo assim tananananã o filme inteiro?",  Natália "o poster do filme do RH parece cópia da Miss Sunshine", resolvido "Minhas tardes com Margueritte".

O filme praticamente não tem trilha sonora (ufa!) é feito de diálogos e de flash backs na vida de Germain, nos flash backs a mãe do Germain parece a Amy Winehouse e numa das poucas demonstrações de amor ao filho, e numa das melhores cenas do filme, quando o namorado da mãe bate nela e em seu filho, ela fura a perna do homem com um garfo gigante, desses de pegar feno em fazendas, com uma raiva, e o expulsa de casa.

O que mais gostei no filme é a delicadeza que perpassa em todas as cenas, na atmosfera do lugar que as personagens vivem e nas relações, todos de alguma forma tem uma relação de cuidado, e mesmo não sendo dito, de amor.

O que faz esse amor sutil ficar mais evidente é o encontro com Margueritte, uma senhorinha elegante, em seus 95 anos, com um olhar de pura doçura e uma disposição enorme para amar, viver e compartilhar enquanto puder. Do jeito mais doce que se pode existir ela mostra para Germain a inteligência e grandeza que ele não consegue enxergar em si mesmo, e através do olhar dela todos os outros começam também a perceber que o homem tão grande de tamanho e força, é grande também de coração, e na capacidade de percepção e compreensão da vida. Quando ele começa a ouvir as leituras de Margueritte encontra as palavras para nomear as coisas que sempre estiveram confusas em seus pensamentos e emoções... esses sentimentos começam a ficar claros, ganham sentido em sua vida.

Descobre que é amado e que pode retribuir, que pode ter uma família, que pode amar Anette e Margueritte, intensamente, um amor hora fraterno, hora passional. Descobre que pode ser ele mesmo até com seus amigos, que estranham suas mudanças, dão risadas de seus foras, mas o querem sempre por perto.

E por fim descobre que foi amado e cuidado por sua mãe também, até por ela, "no final acabamos todos uivando/chorando no túmulo de nossas mães"*.

* ainda vou encontrar a frase exata ou transcrever do filme, assim solta ela pode parecer simples, mas numa outra cena perfeita em que Germain cita a frase para seus amigos na hora do almoço em uma obra, ela faz tanto sentido, que sentimos o poder real que as palavras podem ter.

5.7.11

As formigas têm foco. Chega de formigas.

Clara já chorou no banheiro algumas vezes.

Sabe aquele choro que é preciso sair correndo para o banheiro antes de desabar, que ao passar pela porta já espirram lágrimas desesperadas e que todo mundo sabe que você vai chorar, praticamente já te viram chorando, mas é preciso chorar o resto em segredo pra manter alguma dignidade, e mesmo que totalmente falsa, alguma indiferença. Clara já passou por isso.

E quando o choro fica entalado, e isso acontece no meio de uma reunião, e é preciso segurar o entalo na garganta e as bochechas vermelhas por mais de uma hora. Quando você finalmente consegue ir ao banheiro o rosto é puro fogo e a garganta está do tamanho de uma bola de futebol, do tanto que está preso, e não dá para chorar mais, só fica aquele quente no fundo dos olhos e o gosto ruim na boca. Clara estava assim hoje. Por que ir no banheiro? Não caiu uma lágrima. Mas ela precisava, precisava colocar as mãos no rosto, fechar os olhos e chorar mesmo assim, sem lágrimas. Um choro desses dói bastante. E mais cedo ou mais tarde as lágrimas chegam, em enxurrada, muitas vezes na hora mais inconveniente.

Ta bom, elas vieram, elas sempre vêm, as lágrimas. E agora Clara? Que se vai fazer?

No momento do choro parece que é tudo tão gigante, parece que o mundo é um rolo compressor e Clara se sente uma formiga. Uma formiga injustiçada e abandonada. Será que alguma formiga já sentiu isso?

Na verdade parece que as  formigas sempre sabem o que fazer e para onde estão indo. Na verdade, verdade mesmo, as formigas parecem ter uma coragem suicida, pois continuam seu caminho não importando o obstáculo, continuam e continuam, debaixo de um sapato ou na beirada de um precipício. Alguém já conseguiu tirar uma formiga de seu caminho? Quando se tenta fazer isso, geralmente ela morre esmagada.

As formigas têm foco. Chega de formigas.

Foco Clara. A Clara nunca foi boa em ter foco, no terceiro colegial estava em dúvida entre uns cinco cursos para a faculdade, algo como Artes Plásticas, Geografia, Jornalismo, Serviço Social e Arquitetura. Até hoje não sabe o que quer ser quando crescer. Até hoje se mete em apuros com uma facilidade. Até hoje não se sente adulta e morre de rir com adultos de 30 anos, que parecem estar fantasiados e brincando de ser sérios.

Clara escreve palavras sinceras e perdidas para chefões que só pensam em produção e em mostrar resultados pra plataforma política. Fala de desenvolvimento humano pra gerente de banco. Sonha com poesia, música, cultura e arte quando muitas vezes falta o dinheiro da passagem.

continua...

27.6.11

calmaria sim ou não

e depois vem a calmaria
os dias passam vagarosos e sem pressa
as noites têm mais horas
nos sonhos andamos de carro antigo clássico, velho e cheio de charme
o encontro é confortável
o ar é quente e quando esfria é só respirar debaixo do cobertor
ou tomar um chá quente

as mãos mais leves passeiam carinhosas
e tudo o que passa correndo está longe, distante
e todo o vento é sopro entre as palavras poucas
tolas
faladas quase sem som na ponta da orelha

as cores do dia são suaves
muito azul claro, verde, estampas floridas e listras alegres

o pensamento vai e vem
vai em dúvida
volta sem resposta

só é possível viver o momento
fazer perguntas pode derrubar o castelo de cartas frágil e emaranhado

a calmaria vem mas tão singela
quase transparente
pode ficar invisível diante do turbilhão
o turbilhão do mas, do se, do talvez, do amanhã

21.6.11

dias turvos (tpm 2)

a vida é feita de altos e baixos

um alto vem e agente fica sentindo aquela sensação boa, pensando na sorte e em como tudo se encaixa, se emenda, dá certo, em como as pessoas são incríveis e lindas, como é bom estar em contato com elas.

num baixo o oposto ataca e tudo fica longe e distante, e o cheiro ruim dá alergia, a contradição do outro da vontade de fugir, brigar, gritar, as pessoas falam e falam e você não consegue entender nada, só quer ficar sozinha, ou só não quer ficar sozinha, mas não quer ninguém te cobrando e te perguntando coisas sobre as quais você não quer pensar, todos parecem inconvenientes ou indiferentes.

deu pra perceber que o baixo ficou maior? é porque estou nele.

fico tentando respirar profundamente pra me acalmar, cheiro de tinta em todo lugar que vou.

tento silenciar e acalmar minha mente, as vezes parece que ela está se esgotando, barulho, muito barulho em todo lugar, por todo o caminho as pessoas falam alto, deixam as TVs no último volume, falam e falam e nem se escutam só querem falar mais alto.

fiz uma escolha, a de não tomar remédios para anestesiar o que eu sou, os sentimentos que borbulham dentro de mim, a sensibilidade que sempre foi grande, mas as vezes parece que não dá, que não vou conseguir....

hum... não quero ficar me lamentando, tá já desabafei, como fazer dar certo, certo pra mim, o certo pra mim? o que é certo pra mim?

meu filho ta todo congestionado, meu namorado/noivo não pode fazer nada pra acelerar a entrega do nosso apartamento, minha mãe me deixa louca, mal falo com a minha irmã que sempre foi a minha melhor amiga e o meu trabalho é feito de coisas indefinidas.

toda criança tem resfriado, tosse, bronquite, calma, vai passar, muito rinossoro, inalação, xarope de eucalipto e bolinhas de homeopatia, calma já está melhorando, aos pouquinhos vai melhorando, daqui um mês tem retorno, se não der certo, otorrino, calma.

agosto entrega das chaves? confirmar isso. chão, armários, só o essencial pra mudar, fogão, geladeira. uma conta positiva ajuda, uma reserva seria ótima. planejar o que for possível, ter os passos em ordem, seguir uma lista por partes, a lista total assusta.

minha mãe não vai mudar, ela sempre foi assim e sempre será, ela está animada, querendo ajeitar sua vida, está certa, ela sempre vai falar alto, perguntar a mesma coisa umas 10 vezes, paciência, paciência, paciência. ela é mãe e avó, sempre vai achar que tudo que fala é para o nosso bem e que precisamos fazer o que ela está dizendo, escute, respire fundo, considere, faça com calma o que você acha certo.

irmãs atribuladas, ocupadas e nervosas, dar tempo ao tempo, quem sabe um dia agente para pra conversar uma com a outra.

trabalho, ir definindo o que der, melhor indefinido do que engessado, colocar uma coisa pra acontecer de cada vez, listas por partes, por projeto.

respirar ao ar livre
beber água
comer mais salada
ir com calma
não desanimar
nem deixar a alma de lado

20.6.11

TPM

oi! tudo bem?

não te liguei no domingo porque fomos ver kung  fu panda... você ficou bem? o disse que vocês assistiram um filme legal...
ele me contou que achou chato no restaurante japonês e que não quer ser amigo do...

o  me pediu desculpas no domingo, disse que não consegue ficar legal, que fica com ciúmes

eu acho que eu to de tpm to ficando meio desesperada com tudo, to com medo dela não vir :/

acho que a ficou brava porque eu reclamei que ela não deixa chocolate em pó para o leite do...

ou eu to de TPM mesmo ou tá tudo estranho, tá difícil manter as pessoas juntas...

tenho saudades daqueles dias que agente ficou super junto, mas ao mesmo tempo não quero terminar, acho que a não quer não ter seu quarto, e o nunca vai ser legal e eu fico chata também.... e o não quer ser amigo do, e vc também não deve querer...

devo estar de TPM, espero que venha logo antes que eu fique louca de vez!

17.5.11

Aves de verão

uma surpresa agradável, em paisagens amplas, de pessoas reais, a impressão de que tudo aquilo aconteceu daquele jeito e naquelas cores.

Greta gosta de cor-de-rosa, de fazer bolo, de camping e quer fazer um amigo, quer mais que um amigo qualquer, quer se conectar a alguém, ser vista e sentida como qualquer pessoa, como uma mulher, tem 33 anos e uma deficiência que em muitos momentos a faz parecer ter menos de 13, mas num esforço do tamanho de sua vontade de fazer parte do que a rodeia ela dá conta das emoções, cativa e constrói seus laços.

Res "um adulto normal?", muitas vezes dominado por impulso e por uma raiva maior que seu tamanho, maior que seu coração, acaba agindo irracionalmente, afastando as pessoas, usando sua força desmedida e desastrada para machucar, é um solitário, ex-presidiário, motoqueiro, bom em consertar coisas, não sabe pedir desculpas e nem conversar.

no encontro desses dois, hora Greta se machuca, hora Ress aceita o cor-de-rosa em sua vida, em cenas  extremamente divertidas somos conduzidos a enxergar o que existe de comum nos dois, a vontade de não estar sozinho, de se sentir parte de algo, conseguimos enxergar a mulher em Greta e o menino em Res.

o pai e mãe de Greta resistem, principalmente a mãe, até que ponto Greta dependia deles e eles de Greta? até que ponto precisamos da fragilidade do outro para preencher nossos dias e dar sentido a vida? não é fácil abrir mão da presença de alguém sem escudos e máscaras, alguém que é pura e consistente essência, uma criança.

esses pais tinham deixado suas vidas de lado para superproteger a filha, já tinham se acostumado em ter uma eterna menina em casa, e diante do vazio de sua ausência se deparam um com o outro, com seu tempo livre, com a possibilidade de se reencontrarem.

numa atmosfera de férias de verão, de músicas que combinam com a região e com as pessoas, em meio a água gelada do rio e o estalar de um pianinho rústico de madeira com teclas de metal, é um romance delicado, humano e de ótimo humor.


Serviço: AVES DE VERÃO (Sommervögel). Suíça, 2010. Direção: Paul Riniker. Com Sabine Timoteo, Roeland Wiesnekker, Anna Thalbach, Dorothée Müggler. 96 min.

11.5.11

Como mãe

- Mãe eu te amo mais do que uma magia!
A primeira vez que Clara se sentiu mãe foi na sala de parto, entrou sozinha, aliviada, aquele momento seria só dela, um momento de medo, de ansiedade, um começo. Para ela é engraçado ouvir histórias de outras mães, ela sente que a sua é a única que existe.
Estava lá, deixou tudo nas mãos dos médicos, decidiram por uma cesariana, confiou porque só podia confiar, era a primeira vez que via aquelas pessoas, era a primeira vez que estava numa sala de cirurgia, era a primeira vez que algo realmente importante e decisivo acontecia, ali, em sua barriga.
Foi tudo bem rápido, o ambiente era muito gelado e sentiu frio, sentiu a maior solidão do mundo, a maior que se pode sentir na vida. Foi assustador, até que seu filho nasceu. Nasceu. Nasceu! Ele era o único ser vivo quente naquela sala, um alívio, ele era vivo, quente, gordinho, seu rosto era familiar, foi tudo tão rápido, o que ficou foi a impressão desse calor que encheu o ambiente, da vida que voltou ao coração de Clara, que nesse instante se sentiu mãe. Naquele momento não duvidava de nada, apenas sabia que era e que podia com tudo e qualquer coisa. Essa energia toda transmitida por osmose, sim foi a primeira vez que experimentou isso, no toque das bochechas, como seu filho diria hoje, foi um beijinho de bochechas, todo o calor e vida do filho devolveu o calor e vida para o rosto, corpo e alma de Clara.

29.4.11

um dia de dever cumprido

ufa!!
muitos e-mails pomposos e cheios de circunstâncias no trabalho
notícia boa
recados importantes para amigos
laços importantes para sociedades declaradas
preocupação de mãe de menino
e de gato!!
saída apressada para pegar o ônibus
pra pegar o metro que fecha as 15
beijinho de longe descendo escadas
sorte no posto pra economizar
remédio pro Caio não enjoar na viagem

corre corre
apresentação Festival da Primavera as 16
filho lindo
fala decorada e muito bem falada
que tem vergonha na frente de 2
mas que saiu perfeitamente na frente de 200

foto na máquina ruim
e sem cabo

casa de ponta cabeça
ração de gato pelo chão
discussão dos planos para a casa
que não sei fico
se vou
e até quando

padaria
sopa de mandioquinha quentinha
queijo ralado
desejo de filho saciado com quindim amarelinho!!
mais um convidado chega
mãos dadas
e cabeça nos ombros
olhar de soslaio
beijo de despedida
de aconchego
de nada resolvido sem vontade de resolver
só vontade de viver
Caio mais Victor
bagunça
malas
e...
bora pra Ribeirão!! rsrs

12.4.11

chuva

fiquei presa na chuva e na indecisão, o mundo está caindo lá fora e nem sei que horas chego em casa.
fiquei presa num emaranhado de pensamentos, de ideias e opiniões...
dizem que se conselho fosse bom não seria de graça...
dizem que estamos vivendo um tempo de crise, de falta de utopias
dizem tantas coisas quanto gotas pesadas de chuva caíram na última hora

vivi uma realidade por tanto tempo que não sei se posso, se devo, se quero, se tenho o direito de viver em outra, é um medo de jogar fora o castelo de papel tão difícil de construir, que está amassado pelo tempo.
um medo de ser outra que não conheço, que não entendo, principalmente que não controlo.

sair do círculo de ações esperadas, possíveis, para uma forma não definida e nem conhecida de ser e agir

pensar é cada vez mais pesado e a incerteza do futuro o faz uma tarefa quase de adivinhação
no que vamos apostar hoje?

seguimos no mesmo caminho?

respirar, meditar, praticar exercícios para o corpo, beber cerveja, caminhar de mãos dadas só pra passar o tempo, rir por uma noite inteira, perguntar, conversar, ficar preocupada, dar bronca, dar beijo, fechar e abrir os olhos, sentir o cheiro, encostar o rosto no algodão, sentir as bolinhas

tento me lembrar, olho as fotos, um filme com sons suaves e imagens estáticas intercaladas passa, tento lembrar dos momentos

(a chuva está forte e parece querer entrar pela janela, posso imaginar um rio correndo contra a construção, com medo olho a porta, a água ainda não entrou, penso em sair pelo corredor pra conferir, o medo aumenta)

me sinto como no filme as horas, me sinto como Virgínia Woolf, presa, incapaz de sair do rio, só posso seguir andando e sentindo a água tomar conta do meu corpo, quero ou preciso, ser levada

um pensamento profético esse?

espero que pare de chover

11.4.11

Crime e Castigo

Castigo, culpa, perdão, Raskolnikov nos conquista a ponto de não enxergarmos a brutalidade de seu crime, o absurdo, o grotesco fica tão pequeno diante da realidade e do cotidiano obscuros, persistentemente criéis, sentimos o peso de existir naquele tempo, naquele lugar. A descrição é tão precisa que respiramos ofegantes o ar concentrado, sentimos o cheiro de sarjeta e do suor nas roupas amareladas, encardidas.

Diante dessas pessoas, desses olhares, das mãos machucadas, das ruas molhadas e dos ambientes claustrofóbicos, o julgamento se perde, ficamos sem parâmetros. Rodia fechado em seu quarto, encerrado, enterrado, longe das conversas e do convívio social, mergulha numa lógica só e tão sua, de uma moral tecida dos sentimentos e ideias mais secretos, daqueles que de vez em quando sentimos e escondemos por vergonha ou medo. Em sua clausura essa moral fazia sentido a ponto de ser executada fria e maquinalmente, passo à passo, seus gestos tomados pela personagem daquela existência tão específica, os pensamentos fluindo de maneira estranha e obediente a história que composta em seus dias de solidão, fazia sentido, mas esse sentido estava por se perder.

O castigo chega com a presença cada vez mais constante dos outros, um amigo fiel, a família preocupada e um amor. Fazer parte da vida, dessa vida movimentada e em muitos momentos sufocante, é tão ou mais doloroso do que o efeito de seu crime. Um golpe do destino (Fiodor Dostoievski), as circunstâncias o cercam, se cruzam, o envolvendo nessas relações complexas em que as pessoas esperam muito de Ródia. Esperam por sua integridade física e moral.

A dúvida do julgamento, a entrega que espera o perdão ou a compreensão de uma moral não revelada a ninguém, não existe arrependimento, não existe aceitação do crime.

No começo a raiva das pessoas que o amam, como podem causar tanta dor e mais transtornos do que os que já persistem naquela existência. E o amor não dilui, só resta aceitar o crime e o castigo, aceitar o ar gélido da Sibéria, a aspereza da terra arenosa, o peso dos ferros, dias, anos.

Harold e Maude

Engraçado, inusitado, música persistente e empolgante, pertinente, cara de louco, história louca, clima de "O Iluminado", mensagem otimista, simples, irresistível.


30.3.11

ação x paciência / tempo

A vida acontece em sensações, impulsos, gestos, palavras, vontades. Pensamos, racionalizamos, tentamos nos convencer de certas coisas, mas uma força maior age transpassando tudo, através de nossos olhares e decisões.

Ouvir essa força, ou melhor, sentir essa força exige muita calma, paciência, na medida precisa, exige tempo. Ações desencadeadas freneticamente, automaticamente, por vontades outras ou de outros, não dão o devido espaço, necessário, imprescindível para que os acontecimentos sejam permeados por essa força, pela força que rege nossa energia, nossa existência, nossa direção.

Quando eu tenho medo, dúvida sobre o que estou fazendo e sobre o caminho que estou seguindo, começo a pensar compulsivamente em minhas escolhas, passos e decisões.

Alucinadamente, encadeadamente coloco um pensamento ao lado de outro, uma ideia após outra, uma escolha defronte outra, preencho o espaço da dúvida com uma massa pesada e indigesta de pensamentos.
O que acontece é que tudo fica mais confuso ainda, tudo fica tão emaranhado que fico mais presa, perdida e sufocada com a situação.

Não tenho a receita "certa" de como lidar com isso, mas percebo que a calma, a respiração, o tempo são um caminho possível... na verdade quero experimentar, mesmo que com alguns tropeços, uma fórmula que encontrei por acaso nos textos muito bem escritos e cativantes do blog Meta(fora).

Num acaso completo de nomes iguais, encontrei alguém totalmente diferente, que fala sobre viver, existir, soltar flechas-palavras, praticar o desapego e respirar... curioso.

Fórmula: f (EU) = ação x paciência / tempo
Fonte: http://ametafora.blogspot.com/

"Resolvi então, encarar essa pessoal antagonia e não foi complicado entender a paciência e a ação como elementos químicos que formam algo indispensável para a vida. Como o ar, por exemplo. De fato, eu não domino esse equilíbrio químico, mas já entendi que temos aí diversas reações e dependendo da quantidade de cada um desses nossos elementos num meio qualquer e sob efeito da gravidade, temos uma poderosa fonte de energia." Anderson Lopes 

29.3.11

Lixo e Purpurina

identificar-se com o texto de outro, fazer parte da conversa do outro numa licença permitida, concedida, um olhar pela fechadura do quarto escuro, por trás dos xales que escondem o cheiro forte do lixo e o brilho ofuscante da purpurina.

um passo adentro de outro completamente diferente, completamente igual, mesmo sexo, mesmo sentimento, mesma força, outro tempo.

ser personagem, ser o ombro de um amigo, ser o canalha que deixou o amor esperando, de lado, ser o gravador e o telespectador, ser nós mesmos com mais vontade. quando alguém pula primeiro fica mais fácil, vemos diante dos olhos que a queda não é morte, é também vida, é ser, é estar no mundo no tempo presente. é necessário sentir a queimadura nos pés do chão gelado para lembrar que cada passo é vida. cada passo é caminho, assim como cada escolha, que proporciona caminhos diferentes e não "o caminho", se for errado voltamos e pronto, mudamos a rota.

e você? do que você tem medo?

olhos azuis cor de água, profundos, límpidos, sem fim, eu tenho medo do mesmo que você, de faltar um abraço na hora do sufoco, de faltar uma mão sobre os cabelos, pelos ombros, de faltar o sexo na hora do desejo, de não ter amor, de não ter sossego.

tenho medo de só contar comigo que não dou conta nem de existir... o que se diz quando se quer morrer? não se diz nada, eu não digo nada.

e a cidade louca é o cenário, do monólogo London, das imagens São Paulo. você que passa invisível pela multidão, você que anda mecânicamente pelas ruas e metrôs, você também está no caos, você é o caos.

quem vive no caos pode sonhar com flores?

(texto escrito por mim baseado na peça Lixo e Purpurina)




"Desculpa, digo, mas se eu não tocar você agora vou perder toda a naturalidade, não conseguirei dizer mais nada, não tenho culpa, estou apenas sentindo sem controle, não me entenda mal, não me entenda bem, é só essa vontade quase simples de estender o braço pra tocar você, faz tempo demais que estamos aqui parados conversando nessa janela, já dissemos tudo o que pode ser dito entre duas pessoas que estão tentando se conhecer, tenho a sensação, impressão, ilusão de que nos compreendemos, agora só preciso estender o braço e com a ponta dos meus dedos tocar você, natural que seja assim: O toque, depois da compreensão que conseguimos, e agora."

"Pensei em você. Eram exatamente três da tarde quando pensei em você. Sei porque perdi a cabeça como se você fosse uma tontura dentro dela e olhei o digital no meio da avenida."

"Chega em mim sem medo, toca meu ombro, olha nos meus olhos, como nas canções do rádio. Depois me diz: -Vamos embora para um lugar limpo. Deixe tudo como esta. Feche as portas, não pague as contas e nem conte a ninguém. Nada mais importa. Agora você me tem, agora eu tenho você. Nada mais importa."

(trechos de Caio Fernando Abreu)

28.3.11

Sonhos

Sonhos
Românticos de mãos dadas
doces e ingênuos.
Outros úmidos, febris
Sonhos possíveis de apalpar
sentir a carne e o cheiro
algumas sensações são tão fortes que ficam impressas no corpo,
mesmo ao acordar.
Hora me fazem sentir saudades,
hora repulsa.
Nos sonhos você é outro
suas mãos são tão suaves na pele como nunca foram,
e a ternura, o desejo
são proporcionais a vontade de sentir
a vida
os gestos
o frívolo e o essencial...

25.3.11

vou te contar um segredo

um segredo bom
bem baixinho
no ouvido

o sentimento existe em diversas formas e tempos
um dia é surpresa
noutro rotina

meu tempo vai e volta lento
devagar ao vento

uso rimas bobas pra disfarçar a falta de graça
a falta de jeito
dos meus sentimentos

um sentimento assim assim
que quer ser grande
quer aparecer
chamar atenção
e ser acariciado

um sentimento medroso
que tem medo de escuro
do novo
do tolo

de um estar cheio de remendas
histórias curtas e tristes
longas e doloridas

de um estar que cansou de choro
e quer sorriso
apenas por sorrir
pra existir mais leve
mais solto
cheio de cor
cheio de amor

não, não um amor sério
um amor de brincadeira
um amor de gostar de conversar e rir um com o outro

um amor sem regras nem caminho traçado

enquanto isso o tempo pensa
a mente flutua entre um futuro incógnito
e um passado nebuloso
um passado que dorme submerso
quieto
que depois de soltar umas palavras poucas
broncas
se cala
e se perde
num outro caminho que não é o meu

e eu me seguro
fico atenta aos meus impulsos
não quero mais seguir automaticamente
sem rumo
nem amparo

fico de olho nos segredos
esses tão leves e soltos
que são indefinidos
que podem ser nada
que podem ser tudo

um despertar para o outro
um mergulho

21.3.11

último dia

último dia com você, último dia de uma história, último dia de um lugar...
últimos dias são especiais
mais melancólicos
ou mais esperançosos por mudanças
são tristes e especiais
são alegres e especiais
podem ser cheios de alívio
cheios de graça
cheios de lágrimas

a sensação do fim que fica a espreita
a realidade que só se concretiza com o passar dos dias, meses, anos

um fim para o bem
um fim para a tristeza e sofrimento que não fazem mais sentido
um fim para a desconexão, para o desencontro de todos os dias
dos corpos e da alma!!

tantos fins para um recomeço

amar e deixar passar
passar para trás
para outro dia
para outra vida
deixar passar por você e através de você sem ficar
sem se apegar ao coração

o coração que perdido lutou tanto por um amor sem razão
um amor sem emoção
que não compartilha ideias nem sentimentos
um amor que não compartilha lágrimas
um amor no qual um sofre olhando para dentro e o outro da risadas olhando para fora
no qual os olhares não se cruzam
num fim cego
num fim infinito
até que o amor passe
ou se acalme
ou se transforme em lembrança
em memória de um tempo que já passou
em história
com começo, meio e fim.

17.3.11

Ela falou comigo!

Ela olhou pra mim e voltou a falar comigo, brigamos, nos desentendemos e olhamos para direções opostas, tentamos com toda força nos ignorar, usamos nossa energia para nos afastar, isso nos consumiu, ficamos cansadas, a pele opaca e os olhos secos, o ar pesado, o mundo apertado, no momento em que ela me olhou senti o calor de volta ao corpo, um quentinho no coração, me desmontei em choro.
As palavras duras faziam cada vez menos sentido e a dor passou. Não que tenha desaparecido, deixou suas marcas e seus avisos, "cuida melhor de quem você ama isso pode valer uma vida, um dia, um segundo que seja, valioso demais"...

12.3.11

diário

eu sou egoísta é minha natureza, talvez meu caráter
pessoas deprimidas são mais egoístas ainda, ou talvez eu seja mais egoísta ainda por essa ser a minha natureza
sendo egoísta como sou e não gostando nem um pouco de mim nesse momento, preferia não existir
minhas palavras me perturbam, minha voz soa tão covarde, a sensação de existir está doendo, minha pele coça e se irrita ao menor toque com o mundo, não suporto a sensação dos tecidos sobre a pele, da umidade em meus cabelos, o ar parece áspero e espinhoso.
não quero morrer, quero não existir
minhas cartas de pedido de socorro desesperadas são chatas demais para serem lidas até o fim, são ridículas demais para serem levadas a sério, são fracas demais para serem reais
não pertenço a mundo algum e os vínculos que tenho são resultado de um esforço absurdo em mascarar minha existência impertinente, insuportável, desprezível
no trabalho sou aquela pessoa tediante, isolada, esquisita, que fala sobre a sua coerência no meio de suas ações tão incoerentes quanto vazias e inúteis
em casa sou a filha mal humorada, fria, irônica e ingrata
a irmã egoísta (é claro), irritante, fútil, metodicamente viciada em limpeza e em colocar as coisas friamente alinhadas, paralela ou perpendicularmente
a mãe irresponsável, que chega tarde em casa e perde a paciência com coisas ridículas e insignificantes
a mulher que representou por tanto tempo ser uma menina, uma boneca, uma marionete sem vontades e sem personalidade, que agora aparece como louca, neurótica e amargurada por não ter mais ânimos para representar
sem sonhos
em altos e baixos, mais baixos que os altos que andam meio por baixo
minhas palavras não servem mais, estão gastas, sem valor, sem significado, numa verborragia desperdicei seus sentidos, assim o faço todos os dias em tentativas sem respostas
essa pessoa que acredita nas palavras, espera por elas, se ilude e desilude a cada tentativa, como uma viciada sem limites
jogando na cara dos outros a toda e qualquer oportunidade verdades frívolas que não deveriam ser ditas, por educação, são inconvenientes
não existe mais vergonha porque só existe a vontade de não existir, e como numa prece as palavras são usadas e abusadas, são vontades, são pedidos egoístas
o meu tempo não se encaixa no tempo de mais ninguém, o meu tempo é decompassado, sem ritmo, sem tom
minha voz é travada pela falta de espaço interno, pela falta de reflexo no mundo, os espelhos estão voltados para direções mais interessantes, mais divertidas, menos obscuras e sufocantemente intensas, pretenciosamente intensas
a intensidade pode derrubar, pode enterrar o que sobra de uma pessoa
o vazio pode consumir o ar rarefeito, pardo, pesado na superfície baixa
a vida é feita num caminhar, caminhar sozinho, em silêncio, na companhia dos pensamentos, não adianta falar tanto, não adianta falar alto, não adianta se entorpecer, a cada passo os olhos que se abrem ainda são os seus, os pensamentos não se dissipam, a existência insiste
isso é viver
não tenho a coragem para outra opção, só me resta desejar
não existir.

10.3.11

Eu matei minha mãe

inspirada no dia da mulher, post de amigos, conversas e desabafos, resolvi escrever sobre o que é ser mulher hoje, o que é ser mulher pra mim.

algumas tentativas depois...

tentando fugir do lugar comum, das queixas, da competição, resolvi colocar aqui o texto que escrevi sobre um filme que assisti no carnaval, um filme feito por um homem, filho de uma mulher como todos os outros, uma mulher que se entrega e faz o máximo que pode para criar seu filho decentemente como muitas mães o fazem.

uma mulher louca, simplesmente porque é louca, mas também por causa das circunstâncias.

Eu matei minha mãe

(J'ai tué ma Mère, 2009)
Direção: Xavier Dolan
Roteiro: Xavier Dolan
Gênero: Drama
Origem: Canadá
Duração: 96 minutos
Tipo: Longa-metragem


"Eu amo a minha mãe, se alguém fizesse mal a ela eu seria capaz de matar", "não tenho capacidade de amá-la, nem capacidade de parar de amar" (frases lembradas do filme, sem transcrição fiel)

Um filme cheio de amor, realidade, momentos que lembram nossa relação com nossa mãe, minha mãe, momentos que lembram minha relação com meu filho.

Quando o diretor do colégio interno questiona a mãe de Hubert sobre a falta de uma presença masculina, e ela tem um ataque histérico, eu sei bem o que é isso, minha mãe também, o esforço e o desgaste para dar conta e saber que esse máximo ainda não é suficiente, não é fácil, precisar tomar conta das situações e das responsabilidades porque não existem homens para dividir a dor, as dúvidas, as dificuldades. Casada, divorciada, mãe solteira, quantas podem dizer que tem um homem para dividir essas dificuldades, para sentir o peso um pouco menos. Definitivamente não são a maioria.

Os filhos amam tanto suas mães apesar de tudo, apesar do ódio, afinal por muito tempo elas são tudo o que eles têm.  São a força e a fraqueza, o equilíbrio e a loucura, o amor e o ódio.

E ao mesmo tempo a identificação com o filho, que cresceu, não tem mais 4 anos e não tem culpa por isso, o seu mundo ficou mais complexo, suas relações mais intensas, seus conflitos agora são de vida ou de morte, muitas coisas fogem à compreensão de sua mãe, de qualquer mãe que seja sua. Ele não consegue mais pular nos braços aconchegantes dizendo mamãe eu te amo, num esforço desajeitado e sem tamanho diz “mãe te amo”, as palavras saem tão duras que a mãe se assusta, “eu também filho”, ele termina já fugindo “só para você não esquecer”.

E existe tanto amor, e tanta raiva, e ele “E se eu morresse hoje” e ela “Eu morreria amanhã”.

O filho que tenta a todo custo compensar o esforço todo, compensar, satisfazer, suprir, quase como se assumisse o papel do marido, sem sucesso. (isso acontece com as filhas também)

Quem não tem ou teve vontade de fugir de sua mãe, quem não perdeu a calma e falou tudo da pior maneira e sentiu a pior das culpas que existe. Quem não se cansou de responder a mesma pergunta mais de cinco vezes e acabou sendo grosseiro (quem não pensou/disse que sua mãe deve ter Alzheimer!!). Quem?


28.2.11

amor que fica

ter todas as razões listadas e catalogadas não serve de nada quando o coração fala mais alto, brega e ridículo, o amor é teimoso também.

amor teimoso, cabeça dura, sabe o porque do não mas insiste no sim.

amor insistente, chato e pentelho, pode deixar tão mal humorado quanto nas nuvens, nada está garantido.

amor sem garantias, sem fantasias, os véus já caíram o que ficou é real, é sólido, é feito de carne, sangue e ossos, mas é feito também de pensamentos, sentimentos, medos e sonhos.

de vontades.

vontade de compartilhar, vontade de se isolar, vontade de ficar, vontade de fugir, vontade de sair, vontade de entrar, vontade de enxergar, vontade de cegar, falar e calar, gritar e sussurrar, bater e fazer carinho, vontade insatisfeita, feita de contradição.

o amor é simples, existe, vive, sufoca e transborda, o amor é rico, cheio de detalhes ignorados, cheio de fatos registrados, amar é esquecer o que se é, é ser você mesclado de outro, é ser você apesar do outro, é ser o outro em você.

ser x amar

o que fica?

o que pode ser, você ou o amor? você feita de dor, temor, suor, calor, cheia de vozes em volta e dentro... o outro é espelho, é teto, é chão, é seu, é ser.

o que eu quero ser? não não não.

não quero ser coisa.

não quero ser fria.

não quero ser doida?!

não sim não sim...

o amor é coisa indefinida, quero me livrar dele, sou vazia sem ele, o que sobra?
quem é o amor, é gente, é pessoa? tem alguém aí?!

tantas dúvidas e nenhuma resposta, é o fim dos tempos, o diálogo terminou quando o dia chegou, a noite levou o que sobra e o que dobra, o que importa.

"tristeza não tem fim felicidade sim

A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite, passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Pra que ela acorde alegre com o dia
Oferecendo beijos de amor"

A Felicidade de Vinicius de Moraes e Antonio Carlos Jobim

21.2.11

em 3 atos

1
prisioneira de minhas escolhas

em tantas escolhas, direções, me amarrei, me emaranhei mais que tudo, na ânsia por agir, mudar, fazer qualquer coisa, apertei os nós, as linhas e cordões a minha volta foram se cruzando, entrelaçando, os nós se formando, me agitei, estiquei, puxei, agora estão apertados, bem atados, uns em cima dos outros, outros sobre meus movimentos, sobre os cílios, nas pontas dos dedos, qualquer passo em direção contrária, entram em conflito, se enroscam em meu vestido, pescoço, apertam meu estômago. Desatar um por um, uns encardidos de velhos, uns que já tinha esquecido, que existem, uns que doem, sufocam demais, outros que só estão ali por preguiça, comodismo, não fazem diferença. Até que um fio puxa o outro e a teia formada começa a grudar na pele, fazer parte do que sou, entrar em mim, ser quem sou. Outra, uma outra amarrada.

2
em busca de horizontes

olho ao redor, encaixotada, olho para cima, ainda existe o céu, azul, cinza, estampado, existe, o pescoço dói, se ao menos eu pudesse deitar a cabeça no chão, esse poderia ser um horizonte, possível, infinito. O chão é sujo demais, cheio de chicletes pretos, de fuligem, os pés embotados não param de passar, apressados, ao menor vacilo trombam em mim.
quero fugir, começar do zero, fugir das pessoas, das contas, dos compromissos, da história que se formou aqui. quero mudar de lugar, cidade, cabeça, estilo, quero ser outra em outro tempo, compasso lento, valsa e apoio atento.

3
vamos conversar?

conversar o que, combinar mudanças infinitas e temporárias, com prazo de validade, e o amor?
conversar tristezas e lágrimas, sair da mesma saia, da mesa posta, do colchão afundado, sair, voltar, ficar.
e o amor?
conversar, conversar!? quem vai falar? eu não quero repetir as mesmas palavras de sempre, agora mais descrentes, sem amor?
conversar, conversar, con-estar, começar, com você ficar, conquistar, com que estar, stardust.

stardust. n 1 Astr poeira estelar. 2 coll encanto, devaneio.
dust, pó, pergunte ao pó, converse com o pó, poeira não estelar, poeira de fuligem, preta, encardindo as frestas da conversa. e o amor?

amor que insiste, existe? existiu, fugiu de nós dois, se perdeu?

e o amor? caiu no mundo, errou de veia e se perdeu, fugiu de casa e morreu, abriu os olhos ficou cego, ofuscado pelo brilho da luz, do amanhã, da ansiedade de ser um dia, ser um todo, ser um só.

amor.

18.2.11

o silêncio

agora o silêncio bate e ecoa no vazio, na ausência que é maior depois de tantas horas sem qualquer palavra escrita, muito menos falada.

voz que agora vai ficando doce e suave na imaginação, que pede desculpas pelo engano, pela frieza, pelo fim. mas que confusão! como assim vou te perder!?

voz que não chega nunca.

depois de tantos anos recebendo seus telefonemas sem sentido, sempre as mesmas perguntas, sempre as mesmas palavras. é na falta dessa rotina tediosa que fica explícito o silêncio. a falta de tudo, a falta de nada.

quero ir embora daqui, quero fugir desse mundo xucro, minha carcaça resiste em ser grossa e áspera o suficiente, ficaria pesada demais em mim.

as sutilezas seriam esmagadas, a seda arranhada, rasgada, não existiria fôlego para os sonhos.

não existem saídas possíveis, não aqui.

preciso inventar alguma, pegar um lápis 6B bem entalhado num papel poroso, deixar correr o traço, confundir as linhas e sombras, manchar a base do pulso e das mãos, me perder na confusão do grafite, na confusão dos sonhos.

17.2.11

como terminar?

ontem voltando pra casa, ônibus cheio, fone de ouvidos, música mais alta que os pensamentos pra conseguir chegar, esfreguei com o polegar o anel de metal gelado, sempre faço isso, um tique, como se estranhasse o tempo todo aquele símbolo e ao mesmo tempo para conferir que ele existe e está lá ainda, fixei os olhos nele, reluzente, cheio de arranhões, um pouco frouxo no dedo, tirei.

agora só sinto a ausência, de tempo em tempo, ao longo do dia, sinto a ausência, o tique agora incomoda mais do que antes.

os dedos parecem mais longilíneos, sem ruptura alguma, o coração mais apertado.

e começa a tocar Eu te amo do Chico Buarque e Tom Jobim, meu coração, as lágrimas, o ar transbordam em mim.

essa música é linda linda... pura poesia

"...Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu..."

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir.

a versão que eu tenho é essa... linda linda linda...
acho que estou me torturando um pouco, só um pouco.

15.2.11

um monólogo por enquanto

uma conversa


um monólogo por enquanto

bom dia, quero conversar com você, pode ser!?

bom é que fiquei incomodada com o jeito que falou comigo ontem e achei melhor esclarecer algumas coisas:

- sim eu tenho restrições quanto a sua forma de trabalhar, não posso negar, e estou tentando lidar com isso da maneira mais objetiva e positiva para o projeto que pretendemos realizar.

- quanto ao meu jeito de trabalhar, trabalho com base em compromissos. não consigo deixar de ser transparente, o que penso e como me sinto está sempre estampado na minha cara. e tento ao máximo respeitar as pessoas, independente de quem seja, e por mais que eu não concorde com suas ideias e práticas.

- fiquei muito aliviada em nossa primeira reunião pois nosso chefe deixou bem claro que valoriza o compromisso acima de muitas outras coisas, como bater ponto ou cumprir tarefas mecanicamente por exemplo.

- para que eu assuma um compromisso qualquer: primeiro eu preciso saber de sua existência. Segundo, no caso de uma reunião, preciso saber que fui convidada ou até mesmo convocada (como parece ser a sua forma de trabalhar), preciso saber a hora e local, senão simplesmente não vou, e nesse caso ainda não se trata de nenhuma resistência, pois nem sabia que tinha sido convidada! haha

- agora a parte mais complicada, para que eu assuma um compromisso verdadeiramente, e só consigo assumir dessa forma, preciso acreditar nele. Não adianta usar de tom autoritário, arrogante e de hierarquia, estou aberta sim, a argumentação. me convença se for capaz.

- assumi um compromisso com a Instituição que trabalho sim, mas assumi um compromisso maior ainda com os ideais em que acredito, e que confio fortemente que são afins aos objetivos e missão verdadeiros da Instituição, independente de quem está a frente da administração nesses 4 anos. administração que possui o poder, sim está certo, mas que é pequena diante da história e do número de pessoas que estão envolvidas direta ou indiretamente.

- quer que eu te escute, fale comigo direito.

- quer que eu acredite em suas propostas, argumente para além de seus interesses pessoais, se é que isso existe.


- quanto mais tentar me controlar menos poderá contar com a minha colaboração e mais a minha cara ficará fechada (ainda não possuo dons zens de auto controle para não me deixar afetar).

- quanto mais arrogante for, menos te escutarei, menos acreditarei, menor será a minha admiração (que nesse caso nem existe, precisaria ser construída, eu que sou uma otimista incorrigível e “a esperança é a última que morre”, nesse caso especificamente, a esperança coitada está internada na UTI cheia de tubos) .

- ah e não me venha com conversas do tipo, agora vai ser tudo diferente. eu tenho história, eu tenho memória, eu tenho exemplos e eu estudo para não ser refém da ignorância e do tiranismo. Eu questiono, discordo e me permito ser e fazer diferente do que sempre existiu. Não me peça para agir conforme sua cabeça, tenho a minha em pleno processo de crescimento e transformação e não tenho o menor interesse em retroceder.

- acredito em relações horizontais, os dois lados ou múltiplos lados, se ouvem, falam, se respeitam, cedem, colaboram e entre outras coisas aprendem!

As partes em negrito são as que pretendo falar realmente. As partes em itálico são as que terei que deixar guardadas, em parte pela capacidade de compreensão, em parte para evitar desperdícios desnecessários, um dia quem sabe.

9.2.11

trabalhando com diferenças

trabalhar com quem se gosta, admira, com opiniões parecidas é ótimo, muito bom, mas no mundo real é fácil encontrar situações diferentes, nada ideais, que podem ser chamadas de desafio!


sim adoro um desafio, sim detesto ser contrariada, colocada contra parede, detesto tom machista, hierárquico, conservador, déspota! tá bom, cheia de exageros e extrema sensibilidade, o que torna tudo complicado para quem precisa lidar com isso, certo.


Fato: quero fazer as coisas acontecerem, trabalhar em algo que acredito e ver a concretização disso diante dos meus olhos, para o momento esse é o escopo dos meus objetivos.


então caros amigos, com licença que estou passando, venha junto se quiser!


sonhos x realidade


calma senhorita, tá pensando o que, veja bem aonde está e com quem está falando.


para o inferno você!


veja bem, PARA A RUA VOCÊ!!!


hahaha


sonhos


poder local, trocas solidárias, colaboração, horizontalidade, peão falando com doutor na mesma altura e com argumentos, tomando as rédeas da sua vida, à merda sua troca de favores miseráveis, rumo ao assalto e à tomada do poder!!!


delirante e febril, a pele vermelha de cólera, o rosto suado dos ânimos, a selvageria saudável, finalmente o sangue corre em suas veias! não estamos mortos, não somos mortos vivos coisas, não somos peças da sua estratégia doente de especulação imobiliária, fundiária, financeira, de almas com o diabo.


enfia o teu dinheiro sujo pra tapar o buraco e parar de vazar a merda, o esgoto desviado, o dinheiro acumulado, a falta de alma já te transformou em algo podre, grotesco, verde musgo, com cheiro de lixão.


vc é um verme.


realidade


agente se encontra na terça e na quinta, a sala de reuniões está reservada.
o nosso cenário é complexo (ops exagerei, não usaria esse tipo de expressão) nossa mas que situação essa que vamos lidar, um absurdo horroroso.


já temos uma filial em Brasília, um escritório bem localizado, mil metros quadrados, pra que se preocupar com problemas menores como pessoas?


estamos falando de marketing e publicidade GRAAANDE... muita coisa muito interessante.


interessante para o bolso deles.


de quem?


da categoria superior.


ãh!?


dos catedráticos da política. pouca gente, gente grande, não são daqui não.


sonho + realidade


ah interessante espécie a de vocês, humanos né!? huuumm


acho que podemos deixar o que sobrar, com toda a tecnologia que já descobrimos, vocês ficam bem, sobrevivem.


além do mais deixamos de herança toda essa estrutura e progresso olha que sorte!


nós estamos voltando pra casa.

não. obrigada.

7.2.11

falta de espaço

criar espaços quando o espaço físico, o espaço disponível, não existe, é mais difícil, não sei se porque meu tempo de brincar de não fazer nada acabou, não sei se porque ando bem menos amortecida por substâncias químicas, não sei se por qualquer outro motivo... meu tempo tenha diminuído, as pessoas voltaram cada uma para suas rotinas, passaram as festas, as férias, só as saudades ficaram, as minhas ao menos.

falta de espaço físico, interno, psíquico, falta de disponibilidade para o bem estar, voltar a corrida contra o tempo é tudo o que eu não quero, não quero ficar de cara fechada, remoendo coisinhas que me irritam, me fazem mal, me deixam triste, coisas sem importância alguma, coisas de muito tempo atrás, coisas bestas e coisas com alguma importância para mim que sou assim apegada a pequenas sutilezas...

vamos aos fatos, sem divagações, o que eu quero é me livrar dessa sensação de que tudo está errado quando na verdade algumas coisas aconteceram, sim de fato, e fiquei meio atrapalhada um tanto, meio sem chão um outro tanto, só preciso clarear esses respectivos tantos pra poder tocar a vida, conseguir respirar.

não quero falar só das coisas ruins, preciso começar a registrar no meu ânimo também o que acontece de bom, isso precisa começar a fazer parte de como me sinto e de como vou seguir, vamos ver se não esqueço de nada!

começaram as aulas do Caio, além da fugida do 1º dia ele está super bem, está indo numa boa, sem chorar, está gostando mais das atividades e da professora, que nesse ano parece ser mais tranquila. Fiquei muuuuito orgulhosa dele no 1º dia mesmo, que com a fugida, o medo e tudo mais, segurou firme e não chorou!! Está ficando mais forte meu menino!!! rsrs

(isso até sexta-feira passada, constatação depois de 3 telefonemas choraminguentos)

além disso, tem o Lucas, o novo "babo" do Caio, irmão do Wil, super tranquilo, gosta do Caio, que está ficando com ele de manhã para mim... por 2011 acho que vai dar muito bem! tá ele é meio atrapalhado, outro dia colocou água na garrafinha cheia de sabão para o Caio levar na escola! rs
mas tenho certeza de que eles vão sobreviver e aprender muito um com o outro!

outra coisa boa é que as coisas estão caminhando bem no trabalho, comecei bem, minha proposta para o desenvolvimento dos funcionários está seguindo, o coordenador já me adiantou algumas datas, o que deixa tudo mais concreto, palpável, real, Prof. Barco está com muita vontade de fazer acontecer e vai ficar com agente efetivamente.

tem o outro lado, vou trabalhar com pessoas com quem já tive alguns problemas, divergências fortes de ideais, de práticas cotidianas, mas estou dando um passo de cada vez, estou disposta de verdade a não deixar nada atrapalhar e para isso preciso abrir algumas concessões, tá certo, enquanto forem detalhes rotineiros sei que vai dar, porém de ideais vai ser um pouco mais complicado, mas como já disse, um passo de cada vez e aos pouquinhos chego aonde quero!! hehe

coração, namorado, toda vez que retomamos a rotina, o tempo de namoro, os espaços inexistentes, as situações inconvenientes começam a pegar, fico extremamente irritada com coisas bobas, tenho vontade de falar tchau, até outro dia, daqui uns 6 meses quem sabe... a falta de sensibilidade e compreensão com os meu limites é desastrosa, massacrante, lidar com uma pessoa que não entende que vc não está aonde quer e que se sente uma completa idiota por ter deixado as coisas ultrapassarem tanto os seus limites, uma pessoa que não tem a menor flexibilidade para qualquer atraso, inconsequência, desrespeito ou falta de cuidado, pois já estourou esses limites todos durante esses quase 7 anos.

é fato, pode ser impossível lidar com uma pessoa assim, sim estou falando de mim, talvez por isso tudo fique tão insuportável. estava dando certo, ou parecia estar, quando não nos deixamos cair em situações mais desconfortáveis, inconveniêntes, como dias de tpm, de calor infernal sem qualquer ar condicionado, ventilador ou uma brisinha, de almoços em família em que as pessoas ficam te olhando muito, reparando na cor do seu cabelo, que para elas é cor de salsicha, reparando como engordou e perguntando quantos quilos pesa, te chamando de apelidos íntimos ou que não entenda o porque.

alguns agravantes, todos relacionados a falta de espaço, físico ou psíquico, exemplos, quando vai no banheiro e alguém fica esperando colado na porta (sem exageros, não dá nem pra soltar pum em paz), quando precisa se arrumar num quarto de um metro quadrado e meio com mais 3 pessoas nesse mesmo quarto, quando na hora que está tomando banho todo mundo resolve ter dor de barriga, quando precisa prestar contas do que vc e seu filho comem ou deixam de comer, ah e desculpa Guille querido, mas vc dá os miados mais estridentes nos momentos mais inconveniêntes.

tem uma outra coisa, tenho dúvidas se estou ficando paranóica de vez, posso muito bem estar, mas parece que certos bichinhos estão tomando conta da casa, isso me dá um desespero, uma agonia, uma sensação de sujeira... formiguinhas, bichinhos voadores microscópicos, um bichinho nojento e comprido que nem sei se é verdade, mas na minha cabeça esse bicho vira barata depois, tem o verminho do Guille que eu nem vi e morro de medo de ver... eu sou nojenta eu sei, mas não consigo evitar.

acho que é isso, exageros, desesperos, antipatias à parte, estou tentando não me estressar, não estou com a menor vontade de conversar com a Camila, quero ficar bem sem tomar remédios, quero conseguir, quero poder contar com amigos sem ser insuportavelmente carente. sei lá mais o que eu quero.